

Resolvi dedicar mais um dia da minha vida ao Alentejo.
Não sou natural daquelas paragens, mas tenho uma afinidade especial talvez por ligações de amigos de infância que me leva a ir até lá. "Alentejo da minh'alma" é uma expressão que me cabe no coração.
Para quem venha de norte ou de sul, o passeio pode iniciar-se por Alcácer do Sal onde entramos até à rotunda da velha ponte e rumamos até Torrão (onde nasceu e escritor Bernardim Ribeiro) e depois rumamos até ao Alvito. Sempre por estradas do interior e fora dos grandes itinerários, o percurso afigura-se de prazer porque quase não apresenta tráfego rodoviário e a paisagem nesta época do ano é de um colorido devido às inúmeras flores da Primavera que nos obriga a parar para apreciar o espectáculo da natureza.
Deixando para trás o Alvito o rumo é Vidigueira e depois Moura. Trata-se de parte do percurso da Rota dos Vinhos Alentejanos. Ao lado de Moura temos o Alqueva que impõe uma visita a uma das barragens mais famosas da história de Portugal devido ao tempo que levou a construir ... mas parece-me que bem, porque intregra convenientemente a paisagem e troxe alguma frescura a uma zona muito quente do país. Espero que o Turismo adopte ali uma boa política devidamente enquadrada porque o potencial está todo lá.
É depois de uma visita à barragem que rumo a Portel, virando em direcção à Amieira, a seguir a Alqueva onde existe também um bom restaurante na gasolineira da localidade cujo proprietário é uma simpatia e quase me obrigava a partilhar a posta de bacalhau cozido regado com bom azeite alentejano. Por mim tinha almoçado duas vezes, mas o Sr. Pimenta do Aficionado esperava-me na Amieira que fica quase no "meio do nada", mas onde até vive muita gente e até os ciganos têm o seu espaço comercial para vendas de porta a porta. Um ambiente excelente que ali se vive com gentes muito simpáticas.
O Aficionado é uma pequena "tasca" aparentemente, mas que esconde um excelente restaurante com sala no primeiro andar, com um serviço típico, sem pressas, e uma gastronomia muito alentejana. Não vou dizer o que comi porque gosto de "ir e ver o que há para degustar" e recomendo o mesmo aos outros. O vinho mastiga-se, literalmente. Tive pena de não me saciar com ele, mas ia conduzir, assim limitei-me a prová-lo. Ficou a promessa de voltar lá com uma tenda e saco cama ...
Após o lauto almoço passaram-se as provas de tirar a moto do local de estacionamento que era de empedrado, que depois da refeição pesava mais.
Vencida a preguiça o rumo foi a nova aldeia da Luz. Plantada perto das margens da albufeira do Alqueva, a Luz resplandece de um brilho intenso e realmente, embora bem enquadrada e construída com bom gosto, vê-se que é tudo novo, vale a visita, tem um cafézinho muito simpático.
Empoleirado no alto de um monte e dominando toda uma paisagem deslumbrante, Monsarás foi o meu rumo seguinte. Qual pérola alentejana. Ali encontrei o Dr. Víor M. L. Pereira Neves de quem tomei um livro devidamente autografado onde ele retrata e muito dignifica a terra e as gentes daquela linda localidade que teima em não se render no tempo.
Não fiquei em Monsarás, mas o resto do percurso já é outra crónica.
Fernando Santos
Nota: esta crónica encontra-se publicada devidamente autorizada.
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