quarta-feira, abril 26, 2006

FMototurismo - crónica de uma parte da viagem a Monsarás




Resolvi dedicar mais um dia da minha vida ao Alentejo.
Não sou natural daquelas paragens, mas tenho uma afinidade especial talvez por ligações de amigos de infância que me leva a ir até lá. "Alentejo da minh'alma" é uma expressão que me cabe no coração.
Para quem venha de norte ou de sul, o passeio pode iniciar-se por Alcácer do Sal onde entramos até à rotunda da velha ponte e rumamos até Torrão (onde nasceu e escritor Bernardim Ribeiro) e depois rumamos até ao Alvito. Sempre por estradas do interior e fora dos grandes itinerários, o percurso afigura-se de prazer porque quase não apresenta tráfego rodoviário e a paisagem nesta época do ano é de um colorido devido às inúmeras flores da Primavera que nos obriga a parar para apreciar o espectáculo da natureza.
Deixando para trás o Alvito o rumo é Vidigueira e depois Moura. Trata-se de parte do percurso da Rota dos Vinhos Alentejanos. Ao lado de Moura temos o Alqueva que impõe uma visita a uma das barragens mais famosas da história de Portugal devido ao tempo que levou a construir ... mas parece-me que bem, porque intregra convenientemente a paisagem e troxe alguma frescura a uma zona muito quente do país. Espero que o Turismo adopte ali uma boa política devidamente enquadrada porque o potencial está todo lá.
É depois de uma visita à barragem que rumo a Portel, virando em direcção à Amieira, a seguir a Alqueva onde existe também um bom restaurante na gasolineira da localidade cujo proprietário é uma simpatia e quase me obrigava a partilhar a posta de bacalhau cozido regado com bom azeite alentejano. Por mim tinha almoçado duas vezes, mas o Sr. Pimenta do Aficionado esperava-me na Amieira que fica quase no "meio do nada", mas onde até vive muita gente e até os ciganos têm o seu espaço comercial para vendas de porta a porta. Um ambiente excelente que ali se vive com gentes muito simpáticas.
O Aficionado é uma pequena "tasca" aparentemente, mas que esconde um excelente restaurante com sala no primeiro andar, com um serviço típico, sem pressas, e uma gastronomia muito alentejana. Não vou dizer o que comi porque gosto de "ir e ver o que há para degustar" e recomendo o mesmo aos outros. O vinho mastiga-se, literalmente. Tive pena de não me saciar com ele, mas ia conduzir, assim limitei-me a prová-lo. Ficou a promessa de voltar lá com uma tenda e saco cama ...
Após o lauto almoço passaram-se as provas de tirar a moto do local de estacionamento que era de empedrado, que depois da refeição pesava mais.
Vencida a preguiça o rumo foi a nova aldeia da Luz. Plantada perto das margens da albufeira do Alqueva, a Luz resplandece de um brilho intenso e realmente, embora bem enquadrada e construída com bom gosto, vê-se que é tudo novo, vale a visita, tem um cafézinho muito simpático.
Empoleirado no alto de um monte e dominando toda uma paisagem deslumbrante, Monsarás foi o meu rumo seguinte. Qual pérola alentejana. Ali encontrei o Dr. Víor M. L. Pereira Neves de quem tomei um livro devidamente autografado onde ele retrata e muito dignifica a terra e as gentes daquela linda localidade que teima em não se render no tempo.

Não fiquei em Monsarás, mas o resto do percurso já é outra crónica.

Fernando Santos

Nota: esta crónica encontra-se publicada devidamente autorizada.

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